Canoas / RS - sexta-feira, 01 de agosto de 2014

Infecção Urinária, saiba mais!

Infecção urinária. Saiba mais.

O que é infecção urinária?

É quando há proliferação bacteriana dentro do trato urinário, ou seja, bactéria dentro do sistema urinário contaminando a urina. A urina normalmente é estéril.


Quais são os sintomas de infecção urinária?

  • Dor para urinar (disúria)
  • Aumento da frequência urinária (polaciúria)
  • Urgência para urinar
  • Odor fétido na urina
  • Ardência para urinar
  • Sangue na urina (hematúria)
  • Necessidade de acordar a noite para urinar (nictúria)
  • Dor na região mais baixa do abdome, próximo à bexiga (dor supra-púbica)
  • Urina turva

Nos casos de pielonefrite, em que os rins estão acometidos pela infecção, pode haver febre acima de 38° C, calafrios e dor lombar.


Quais são as causas?

A causa é a proliferação de bactéria dentro do trato urinário.


Cistite é a mesma coisa que infecção urinária?

Cistite é uma inflamação na bexiga, que pode ser bacteriana ou não. Quando é uma cistite bacteriana, é o mesmo que infecção urinária baixa.

As cistites não bacterianas também podem acontecer como, por exemplo, a cistite intersticial ou cistite actínica que vem após uma radioterapia.


Por que fala-se em infecção urinária baixa ou alta?

Uma bactéria que entra no canal da urina, vai à bexiga, prolifera-se dentro da bexiga, causando uma cistite bacteriana (ou infecção urinária baixa). Mas ela também pode subir retrogradamente pelo ureter (canal que drena a urina do rim até a bexiga) até o rim, causando uma pielonefrite ou infecção urinária alta.

A cistite bacteriana é de fácil tratamento. Em geral são usados 3 dias de antibiótico por via oral. Quando acomete os rins, ou seja, uma pielonefrite, é um processo geralmente mais longo e mais grave, necessitando de mais tempo de tratamento, muitas vezes por via endovenosa.


Quem tem mais probabilidade de ter infecção urinária?

A infecção urinária pode acometer qualquer pessoa, desde crianças até idosos.

  • As mulheres são o principal grupo acometido por esta patologia. Os fatores anatômicos explicam esta facilidade de contaminação. A mulher tem a uretra mais curta que o homem. Isto faz com que uma bactéria chegue fácil à bexiga. A proximidade da uretra com a vagina e com o ânus, locais onde existem bactérias, também aumenta este risco.
  • Homens idosos são mais acometidos do que os homens mais jovens. O crescimento da próstata pode causar um esvaziamento incompleto da bexiga e um fluxo urinário ruim, o que facilita que a bactéria suba até a bexiga.
  • Crianças que nascem com alguma anomalia congênita.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é simples. Uma vez apresentando os sintomas de uma infecção urinária, a pessoa deve procurar um médico para que seja tratada o mais rápido possível.

Os dados clínicos e o exame físico são esclarecedores. O exame de urina confirma a proliferação bacteriana. Pela urocultura, pode-se verificar qual a bactéria que está causando a infecção e qual a resposta dela aos antibióticos usados no tratamento.

Em situações mais graves, por exemplo nos casos de pielonefrite, pode ser necessária a solicitação de outros exames complementares como a ecografia abdominal total, urografia excretora, cintilografias renais, tomografia computadorizada abdominal total, dentre outros.


Vida sexual ativa facilita o aparecimento de infecção urinária?

A infecção urinária não é uma doença sexualmente transmissível. Ou seja, os parceiros sexuais não passam infecção urinária um para o outro.

No entanto, a vida sexual pode facilitar o aparecimento de infecção urinária em algumas mulheres que tem:

  • Vida sexual promíscua, ou seja, vários parceiros sexuais
  • Atividade sexual muito ativa (muitas relações em um curto espaço de tempo)

E também naquelas que usam espermicidas, cremes ou lubrificantes que podem alterar o ph vaginal.


É muito importante fazer um exame de urina para diferenciar se há ou não a presença de bactéria em casos de sintomas de infecção urinária, pois pode ser que a relação sexual cause apenas uma irritação no canal da urina pelo atrito do pênis com a vagina.


É comum uma pessoa que já teve infecção urinária apresentar um novo episódio?

Aproximadamente 20-25% das pessoas que apresentam uma infecção urinária têm recorrência do quadro no mesmo ano ou no ano seguinte.

O termo “cistite recorrente” é usado quando uma pessoa apresenta três ou mais episódios em um mesmo ano. A infecção urinária é muito comum. Se acontecer duas vezes em um ano, não é "cistite recorrente".


Qual é o tratamento?

O único tratamento é com antibióticos, que não devem ser usados sem o conhecimento de um médico (urologista, nefrologista, clínico geral, ginecologista, pediatra).

A auto-medicação pode agravar o quadro mascarando os sintomas, dificultando o diagnóstico e facilitando o agravamento do quadro.

O uso incorreto de antibióticos seleciona bactérias resistentes e, no dia que a pessoa realmente precisar do antibiótico, ele pode não agir adequadamente.


O que pode acontecer com uma infecção urinária mal tratada ou não tratada?

Uma infecção simples pode causar uma pielonefrite, que acomete os rins, quadro que pode trazer riscos e complicações, podendo levar a uma situação grave.

Sempre é bom procurar um médico diante dos sintomas de uma infecção urinária.


O que fazer para parar de ter infecção urinária?

Os estudos realizados mostram que o que causa infecção são alterações intrínsecas. Algumas mulheres, principalmente aquelas com infecções urinárias recorrentes, podem ter nas células que revestem o canal da urina e a vagina receptores em que as bactérias se ligam de maneira mais firme e, com isso, na hora que a pessoa urina a bactéria não é eliminada.

Então a maior ingestão de líquidos, principalmente água, pode facilitar a eliminação desta bactéria, pois o jato urinário vai ser maior, o que ajuda a eliminar estas bactérias aderidas.


Outros fatores que podem ajudar a evitar uma infecção urinária são:

  • Evitar a utilização de produtos intra-vaginais (cremes, lubrificantes, espermicidas) que podem alterar o ph vaginal
  • A ejaculação intravaginal muito frequente pode alterar o ph vaginal e afetar a flora vaginal facilitando a infecção urinária. O sêmen é básico, podendo alterar o ph vaginal

Não há provas científicas, mas são recomendados:

  • A higiene após defecação ou após urinar deve ser feita de frente para trás
  • Não fazer jatos de limpeza com chuveirinho, pois muda a flora e o ph vaginais
  • Esvazie a bexiga após o ato sexual
  • Tratar a constipação intestinal, quando necessário.

Fontes:
Projeto Diretrizes
National Institutes of Health